A disputa judicial entre a Rockstar Games e o sindicato britânico Independent Workers’ Union of Great Britain, o IWGB, trouxe à tona informações sensíveis sobre o desenvolvimento de GTA 6. Durante uma audiência preliminar realizada na semana passada, documentos apresentados no processo acabaram revelando indícios do que pode ser o futuro modo on-line do jogo.
O caso discute se mais de 30 funcionários demitidos pela Rockstar por suposta “má conduta grave” foram, na verdade, dispensados de forma injusta. A empresa acusa os desenvolvedores de terem compartilhado informações confidenciais. Já o sindicato alega que as demissões estão ligadas a conflitos trabalhistas e à organização sindical.
Segundo apuração do canal People Make Games, que acompanha o processo desde o início, a própria Rockstar mencionou em juízo a existência de um elemento “ultrassecreto” de GTA 6. O representante legal da empresa afirmou que o conteúdo era tão sensível que preferiu não lê-lo em voz alta, solicitando que o juiz analisasse o material de forma privada.
Apesar disso, como a Rockstar não pediu restrições formais à divulgação das provas, o jornalista do People Make Games conseguiu acesso aos documentos. Entre eles, há mensagens de um servidor no Discord que mostram conversas internas de funcionários da área de testes de qualidade, conhecida como QA.
Em uma das mensagens, um ex-funcionário relata frustração por não conseguir tirar folga após a empresa endurecer as regras de férias. No mesmo contexto, ele menciona uma sessão de testes com 32 jogadores simultâneos, questionando por que isso seria considerado difícil de organizar em uma equipe com 56 pessoas.
Para a Rockstar, esse trecho configura vazamento de informação “altamente confidencial e comercialmente sensível”, pois revelaria o número planejado de jogadores simultâneos em um serviço on-line ainda não anunciado, possivelmente ligado ao GTA 6 Online.
Caso o limite de 32 jogadores se confirme, a informação não chega a ser surpreendente. Atualmente, GTA Online já permite até 32 jogadores por sessão. Isso, inclusive, contraria rumores anteriores que apontavam para servidores com 64 ou até 96 jogadores em uma versão mais avançada do modo on-line.
Outras mensagens usadas como justificativa para as demissões chamam atenção por não tratarem diretamente de segredos do jogo. Algumas abordam temas como excesso de trabalho, conhecido como crunch, preocupações com o uso de inteligência artificial generativa e mudanças em benefícios oferecidos pela empresa.
Um dos exemplos citados no processo é uma mensagem de apenas 15 palavras, na qual um funcionário afirma não ter ouvido novidades no setor de QA, mas promete avisar caso algo mude. Ainda assim, a Rockstar argumentou que o texto poderia revelar padrões de trabalho internos e permitir que terceiros deduzissem o estágio de desenvolvimento de GTA 6.
A audiência realizada foi apenas a primeira etapa do embate judicial. O tribunal trabalhista de Glasgow analisou se os funcionários demitidos teriam direito a pagamento provisório enquanto aguardam o julgamento completo. Esse pedido foi negado, mas o processo principal ainda será julgado.
O caso segue gerando repercussão, não apenas pelo conflito trabalhista, mas também por expor, ainda que indiretamente, detalhes raros sobre um dos jogos mais aguardados da indústria.

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