Warner Bros rejeita nova proposta da Paramount e mantém Netflix

A Warner Bros. Discovery confirmou que rejeitou a oferta revisada da Paramount para aquisição da companhia, classificando a proposta como “não alinhada aos melhores interesses da WBD e de seus acionistas”. Segundo a empresa, a proposta também não se enquadra como “superior” dentro dos critérios definidos no acordo firmado com a Netflix em dezembro.


O movimento ocorre após a Paramount apresentar uma oferta hostil diretamente aos acionistas da WBD, reforçada por uma garantia financeira de US$ 40,4 bilhões do investidor Larry Ellison. Mesmo assim, o conselho de administração da Warner Bros. Discovery reiterou sua recomendação para que os acionistas mantenham apoio ao acordo com a Netflix e rejeitem a proposta da Paramount.

A oferta da Paramount previa US$ 30 por ação para a compra de toda a WBD. Já a proposta da Netflix, de US$ 27,75 por ação, abrange apenas partes do conglomerado, incluindo as divisões de cinema, televisão e games. Embora o valor global potencial da Paramount fosse maior, o conselho apontou riscos elevados nas condições estruturais da transação.

Em comunicado, Samuel A. Di Piazza Jr., presidente do conselho da WBD, afirmou que a proposta da Paramount apresenta “valor insuficiente” e depende de um nível extraordinário de endividamento, o que ele classificou como um risco significativo para a conclusão do negócio e para a proteção dos acionistas caso a transação não seja finalizada.

Segundo Di Piazza, o acordo com a Netflix oferece maior previsibilidade, menos custos adicionais e risco reduzido, fatores considerados decisivos pelo conselho.

Outro ponto de divergência é a abrangência do negócio. A Paramount buscava adquirir a totalidade da WBD, enquanto a Netflix mira apenas ativos selecionados, preservando parte das operações da companhia.

A decisão tem impacto direto sobre a área de games, já que a WBD controla estúdios e franquias de grande porte. Dependendo do desfecho, a divisão poderá passar ao controle de um novo grupo — ou permanecer sob a atual estrutura, caso nenhuma transação seja concluída.

Tanto Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, quanto David Ellison, líder da Paramount, se reuniram recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Jared Kushner, genro do presidente, chegou a participar do processo de oferta hostil por meio do fundo Affinity Partners, mas posteriormente deixou a negociação.

Enquanto isso, parlamentares e reguladores acompanham o caso. A senadora Elizabeth Warren afirmou que a consolidação de grandes conglomerados de mídia pode prejudicar consumidores e declarou que preferiria que nenhuma fusão ocorresse.

Por ora, o cenário indica maior probabilidade de avanço do acordo com a Netflix, embora a possibilidade de as negociações não resultarem em operação definitiva ainda permaneça em aberto.

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