Uma mudança importante nas regras de classificação etária na Europa vai afetar diversos jogos eletrônicos. A organização PEGI (Informação Pan-Europeia sobre Jogos) anunciou que títulos que utilizam caixas surpresa, sistema de recompensas aleatórias comprado com dinheiro real, passarão a receber classificação mínima PEGI 16.
As caixas surpresa têm sido alvo de debates na indústria de jogos há vários anos. Críticos afirmam que o sistema se aproxima de práticas de apostas, já que os jogadores pagam por itens virtuais sem saber exatamente o que irão receber.
A mudança nas classificações ocorre em um momento de crescente pressão sobre o setor. Recentemente, a Valve enfrentou um processo judicial coletivo que acusa a empresa de operar um sistema de apostas ilegal por meio de itens aleatórios em jogos.
Com as novas regras, a PEGI revisou quatro categorias relacionadas a compras dentro dos jogos e sistemas de recompensa. O objetivo é oferecer informações mais claras para pais e jogadores sobre os mecanismos presentes em cada título.
A primeira mudança envolve compras dentro do aplicativo. Jogos que possuem passes de batalha pagos ou itens disponíveis por tempo limitado, que incentivam o jogador a retornar frequentemente, passarão a receber classificação PEGI 12.
Outra alteração diz respeito a jogos que utilizam tecnologias de tokens digitais ou sistemas baseados em cadeia de blocos, frequentemente ligados à negociação de ativos virtuais. Títulos com esses recursos receberão classificação PEGI 18.
No caso específico das caixas surpresa, jogos que vendem itens aleatórios pagos receberão classificação PEGI 16, podendo chegar a PEGI 18 dependendo da intensidade do sistema. Séries populares de esportes eletrônicos podem ser bastante afetadas por essa mudança.
Um exemplo citado é a franquia EA Sports FC, que atualmente possui classificação PEGI 3 em algumas versões, mas inclui sistemas de pacotes de jogadores com recompensas aleatórias.
A PEGI também criou regras para sistemas que incentivam o retorno frequente ao jogo. Jogos que oferecem recompensas por participação diária, como missões ou desafios diários, receberão classificação PEGI 7.
Caso o sistema penalize o jogador por não retornar ao jogo, como perda de conteúdo ou redução de progresso, a classificação sobe para PEGI 12.
Outra mudança envolve a comunicação entre jogadores. Jogos que não possuem ferramentas adequadas para bloquear ou denunciar comportamentos inadequados receberão classificação PEGI 18.
Segundo Dirk Bosmans, diretor da PEGI, as mudanças buscam tornar as classificações mais transparentes para o público.
De acordo com ele, a atualização foi inspirada em experiências de órgãos reguladores de outros países europeus e deve ajudar pais e jogadores a entender melhor o tipo de experiência oferecida por cada jogo.
A nova política de classificação etária deve impactar diretamente o mercado de jogos na Europa, especialmente títulos que dependem de microtransações e sistemas de recompensas aleatórias para gerar receita.

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