Micron explica fim da Crucial e foco em IA

A Micron se pronunciou oficialmente sobre o encerramento da marca Crucial, conhecida por memórias e dispositivos de armazenamento voltados ao consumidor final. A decisão, anunciada em dezembro, gerou forte repercussão negativa, mas a empresa afirma que não abandonou o mercado consumidor e que a mudança é consequência direta da explosão da demanda por inteligência artificial (IA).


Em entrevista ao site WCCFTech, Christopher Moore, vice-presidente de Marketing e da unidade de negócios de clientes e dispositivos móveis da Micron, disse que a percepção de que a empresa virou as costas para os consumidores “não é exatamente correta”. Segundo ele, a estratégia atual busca atender tanto usuários finais quanto grandes clientes corporativos.

De acordo com o executivo, a Micron continua fortemente presente nos mercados de PCs e dispositivos móveis, mesmo após o fechamento da Crucial. A diferença, segundo ele, está nos canais utilizados. Em vez de vender diretamente ao consumidor, a empresa reforçou sua atuação por meio de fabricantes parceiros, conhecidos como OEMs, sigla para fabricantes de equipamentos originais.

Moore afirmou que a Micron segue fornecendo memórias LPDDR5 para marcas como ASUS e Dell. Esse tipo de memória é amplamente utilizado em notebooks, tablets e outros dispositivos portáteis, oferecendo maior eficiência energética e desempenho. Segundo ele, a empresa mantém contato com praticamente todas as fabricantes de PCs do mercado e ainda detém uma parcela significativa da cadeia de fornecimento ao consumidor por meio desse modelo.

Apesar disso, o executivo reconheceu que a empresa não pode ignorar o crescimento acelerado da demanda vinda do setor de inteligência artificial. Data centers e grandes empresas de tecnologia estão consumindo volumes cada vez maiores de memória e armazenamento, o que tem pressionado toda a indústria de semicondutores.

Esse cenário ajuda a explicar a atual escassez de memória e armazenamento, além da alta nos preços. Moore avalia que a situação dificilmente deve se normalizar antes de 2028, ao menos do ponto de vista da Micron. Segundo ele, a companhia está investindo na construção de novas fábricas, incluindo uma unidade em Idaho, prevista para iniciar operações em meados de 2027, além de outra instalação no estado de Nova York.

No entanto, o executivo ressalta que esses projetos levam tempo para atingir plena capacidade. Mesmo com as novas fábricas, a expectativa é que a produção só esteja totalmente estabilizada em 2028.

Até lá, o impacto deve continuar sendo sentido pelos consumidores. Com preços elevados e menor oferta de componentes, muitos usuários podem ser obrigados a manter seus computadores e dispositivos atuais por mais tempo, enquanto o mercado tenta se adaptar à nova realidade impulsionada pela inteligência artificial.

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